Entrevista: Schmidt examina o Bahia e afirma: “Havia uma tal certeza de impunidade”

por Leonardo Santana e Marcos Valença em 09 de Setembro de 2013 00:00

*Entrevista publicada no dia 30 de Agosto.

Secretário do Governo do Estado, Fernando Schmidt é candidato à presidência do Esporte Clube Bahia pela chapa “Diga Sim a um Novo Bahia”, nas eleições que irão ocorrer no próximo dia 7 de setembro, na Arena Fonte Nova. Presidente do clube na década de 70, Schmidt quer retornar ao maior cargo do tricolor e terá como vice-presidente, o advogado Valton Dórea Pessoa.


Em uma entrevista exclusiva ao Galáticos Online, o mandatário tratou sobre os mais diversos temas. Alterações do estatuto, projetos, planejamentos, intervenção, patrocinadores, contratações e divisão de base foram alguns dos assuntos abordados no bate-papo com o secretário.

Schmidt não esqueceu também de falar sobre o presidente destituído, Marcelo Guimarães Filhos. “Ele é o objeto principal da nossa crítica dentro do clube, das práticas que eram adotadas, sobretudo essa falta de planejamento. No Bahia não tinha planejamento para reduzir despesas ou aumentar receitas”, relatou.

Confira na íntegra a entrevista completa com Fernando Schmidt

(Fotos: Gilberto Junior // Bocão News // Galáticos Online)
 
Como surgiu essa ideia de ser candidato à presidente do Bahia novamente?

Estava dedicado à reforma dos estatutos do Bahia. Achei que tínhamos condições no momento em que estamos vivendo, de consolidação da democracia em nosso país, de termos um estatuto que fosse efetivamente coerente. Na época que fui presidente era muito difícil, era a época da ditadura militar, onde as questões acabavam influenciando de uma maneira muito forte tudo no país, inclusive no futebol, que é a principal paixão do povo brasileiro. Hoje estamos vivendo o aperfeiçoamento da democracia, as ruas estão dizendo isso. O Bahia não pode ficar fora disso e por isso nos envolvemos desde o principio na questão da aprovação dos novos estatutos para o Bahia que garantissem a eleição direta pelos sócios.

O senhor concorda com todas as alterações do estatuto do clube votadas na Assembleia?

Todas e tenho compromisso claro de defender o estatuto. Entendo que a situação é verdadeiramente de continuidade da intervenção. Com a eleição do novo presidente você acaba uma intervenção judicial e inicia uma espécie de intervenção extrajudicial. Você vai dá sequência às coisas que precisam ser feitas, concluir a auditoria, fazer um levantamento em todos os contratos que existem no Bahia, não no sentido de revogar contratos. O objetivo é conhecer a realidade do clube e verificar se existem ainda situações irregulares para poder corrigi-las. A defesa, portanto, dessa tese de manter os estatutos que procura privilegiar três pontos dentro dessa ideia de intervenção extrajudicial. É a revisão de todos os contratos dentro do clube, de todas as parcerias firmadas e introduzir uma cultura de planejamento dentro do Bahia. Hoje não há planejamento pra coisa alguma, precisamos ter efetivamente compromisso de democracia, transparência e profissionalismo. Precisamos introduzir uma gestão profissional no Bahia, isso é fundamental. Essas seriam as primeiras medidas que eu tomarei se me tornar presidente do clube.

O que o senhor pensa sobre a intervenção no clube?

Acho que nunca se pensou que a intervenção acontecesse. Havia uma tal certeza de impunidade dentro do Bahia que as coisas eram tocadas sem o menor cuidado até de apagar os rastros. O Esporte Clube Bahia hoje tem 320 empregados, uma boa parte está de aviso prévio porque sequer se apresentou para trabalhar.

Quais os principais projetos que o senhor pretende implantar?

Nós temos dois focos principais. Primeiro um planejamento de curto prazo, emergencial, até o final deste ano. A partir daí, temos um projeto mais estruturante, um projeto mais voltado a todos os setores do clube, não só ao setor de futebol, envolvendo um planejamento para 2014. Nessa parte, pensamos em adotar uma série de medidas, que vão, por exemplo, obter para os associados do Bahia uma redução entre 30% e 50% nos ingressos. Esse sócio ele vai receber um cartão, que é um cartão de crédito, que além de vantagens que ele vai ter em lojas conveniadas, ele vai ter, por ser sócio do clube, uma redução no seu ingresso, uma espécie de cartão de benefícios.

O senhor pensa em manter a joia em R$ 10,00 para se associar ao clube?

Essa é uma questão que o novo Conselho Deliberativo vai ter que definir. O que foi feito inicialmente foi para facilitar o ingresso de novos sócios. Mas a mensalidade que ele paga é de R$ 40, então temos que examinar bem essa situação. Esse dinheiro foi muito importante, pois conseguiram pagar uma folha atrasada de jogadores, com essa receita nova, que entrou no clube.

O senhor tem uma equipe montada para o marketing, departamento de futebol profissional, divisão de base? O que o senhor pensa em manter ou alterar no clube?

Estamos montando esta equipe pegando, principalmente, os setores administrativos, financeiro, patrimonial, futebol e marketing. Esses são os cincos principais setores que pretendemos atuar em cima. Hoje a situação do clube é muito difícil, temos até o fim do ano seis folha para pagar, incluindo o décimo terceiro, e temos que providenciar receitas novas para poder pagar isso. Vamos ter que reexaminar contratos que podem ser revistos, vamos fazer um planejamento de redução de despesas, mas ao mesmo tempo, vamos ter uma preocupação muito grande com o time de futebol que temos hoje. O time precisa de reforços, quem vai dizer isso é a comissão técnica e o diretor de futebol, que deve ser trazido para cá, a partir daquilo que o treinador Cristóvão opinar. Para nós é muito importante, a opinião de Cristóvão, até porque apesar de todos os problemas, estamos com um time como nunca tivemos antes, desde que o Campeonato Brasileiro está em pontos corridos.

Então o senhor, não pretende ficar com o Anderson Barros? Pretende contratar um novo diretor?

Essa não vai ser uma decisão minha. Vai ser uma decisão deste grupo de pessoas que vão ser chamadas para essa função.

Essa mudança aconteceria já no dia 9 de setembro ou somente em 2014?

Vamos ter que fazer essa mudança rápida porque o prazo para contratação de novos jogadores é curto. Então temos que ter a opinião destas pessoas e ao mesmo tempo ter o direcionamento de Cristóvão, porque ele garantiu essa situação excepcional que o Bahia está hoje no Brasileiro, ele também tem a noção de que é preciso trazer reforços para poder acompanhar a segunda fase do Campeonato Brasileiro que se iniciará dentro de pouco tempo.

Há algumas críticas em cima da candidatura do senhor que apontam como a manutenção de um político no comando do clube. O que o senhor pensa a respeito?

A nossa chapa de Conselho é uma chapa absolutamente aberta. Nela estão presentes representantes de todos os partidos, personalidades, que não têm nada haver necessariamente com a política. Ao contrário, o estatuto proíbe o exercício da política partidária dentro do clube. Futebol e política nunca deram certo, sobretudo em tempos de explosão democrática. Não vou de forma nenhuma exercer uma atividade política, partidária dentro do clube. Vou procurar trabalhar com todas as representações que eventualmente, não por indicação de nenhum político ou nenhum partido.

Essa ligação do senhor com o Governo do Estado pode atrapalhar, ajudar ou interferir na sua eleição?
Se eu vier a ser eleito, a primeira coisa que vou fazer é me afastar do governo, porque essa visão profissional que se pretende introduzir dentro do clube começa pela chapa executiva, o presidente e o vice-presidente. Nenhum deles pode ter vinculação com cargo político ou outra atividade público ou privada, e, por isso, essas pessoas terão que dar dedicação exclusiva ao clube e não poderão se candidatar a reeleição.

O senhor acredita que neste mandato tampão de apenas 1 ano e 4 meses será possível executar todos os seus projetos?

Não me sentiria à vontade pra sair do governo agora se fosse pra passar três anos ou com direito à reeleição, isso não me seduz. Temos que concluir um processo de intervenção dentro do clube, que foi iniciada, judicialmente tinha limites, não podia ir além do que período que foi. Nem por isso todos os problemas foram resolvidos. Temos uma auditoria que vai ser entregue, mas que pode não ter descoberto todos os aspectos necessários. É preciso realizar novas investigações, novas pesquisas. Quando eu falo examinar contratos, não é examinar para instaurar um clima de caça às bruxas. O que queremos é verificar se todos eles estão atendendo aos interesses do Bahia, se podem ser melhoras ou aperfeiçoados.

Se forem encontradas irregularidades no clube, qual será a atitude do senhor?

Todas as irregularidades que forem constatadas serão analisadas e uma vez comprovadas serão punidas.

O que o senhor acha da gestão do ex-presidente do clube, o Marcelo Guimarães Filho?

A gestão de Marcelo Guimarães é uma gestão contra a qual nos colocamos. Esse arco de aliança que se montou não o inclui. Ele é o objeto principal da nossa crítica dentro do clube, das práticas que eram adotadas, sobretudo essa falta de planejamento. O Bahia não tinha planejamento para reduzir despesas ou aumentar receitas. Nunca foi publicada uma relação de sócios, sabe-se apenas que duzentos elegeram trezentos.

O senhor pretende demitir funcionários no Fazendão?

Vamos examinar sem a perspectiva de que as pessoas são culpadas até que provem o contrário. Temos que examinar e verificar. Boa parte dessas pessoas que estão na sede administrativa do Bahia sequer lá apareceu.
O que pensa em fazer com o Torcedor Oficial do Bahia?

É importante o sócio ter o direito de entrar nos jogos. Da mesma forma que ele vai ter o cartão de crédito com outras vantagens, ele vai ter a possibilidade de garantir o seu acesso dentro da Arena Fonte Nova em qualquer lugar, sem um lugar específico. Agora precisa ser sócio.

O senhor pretende extinguir o Torcedor Oficial do Bahia, que agora é administrado pela Arena?

Pretendo reexaminar esse contrato com a Arena. Se for o caso retomar, dar uma outra configuração. Futebol é paixão, todo mundo gosta, torce, põe pra fora sua emoção, mas você tem que ter alguma coisa de retribuição. Porque se não as coisas ficam complicadas. Pretendemos fazer uma retribuição agregada a paixão do futebol aos sócios do Esporte Clube Bahia. Soube que a própria Arena já esta pensando em dá uma nova destinação, uma espécie de geral, no terceiro anel do estádio.

O presidente do Vitória, Alexi Portela, criticou a remuneração ao cargo de presidente. O que o senhor pensa a respeito?

Se você vai trabalhar com dedicação exclusiva e sem nenhuma possibilidade de exercer outro tipo de atividade e, ao mesmo tempo, é necessário profissionalizar o clube, não vejo nenhum mal nisso. Claro que ninguém vai pensar em remunerações absurdas, mas tem que ser alguma coisa dentro do mercado.

Alguns dirigentes têm criticado a intervenção no Bahia. O senhor teme alguma retaliação de outros clubes?

Pretendo dialogar normalmente com todos os clubes, até porque fui um dos fundadores do Clube dos 13, cheguei a ser diretor-tesoureiro na outra gestão. Naquela época os clubes de futebol não tinham a situação precária que hoje têm, em relação à CBF e as federações. O que está acontecendo é que este movimento que se iniciou aqui na Bahia vai sair da Bahia, não vai ficar preso aqui. Essa onda de aprofundamento democrático dentro do futebol brasileiro vai acontecer. Quem ficar contra vai se dar mal.

O senhor pensa em buscar novos patrocinadores e reabrir o diálogo com a Caixa Econômica Federal?

Pretendo reabrir, até porque tenho a palavra do presidente da Caixa, que é torcedor do Bahia, que está aguardando o Bahia regularizar essa situação para voltar a fazer o contrato, que deve ser conveniente. Temos que fazer essas coisas todas examinando profissionalmente, mas temos a garantia de que a Caixa espera, mas também temos que ver uma relação de custo benefício disso. Inicialmente como foi posta, o benefício é muito maior do que o custo, mas vamos fazer as contas em relação a outro patrocínio para verificar se o que está sendo proposto é o melhor para o Esporte Clube Bahia.

Deixe uma mensagem para a torcida do Bahia.

Temos que ter a unidade de todas essas forças que constituíram que estiveram presentes na aprovação dos novos estatutos, na sua defesa. Temos que ter a coragem de introduzir na forma mais radical possível a democracia, transparência e profissionalismo dentro do Esporte Clube Bahia. Se não fizermos isso, não seremos bem sucedidos.

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