“Tem gente que quer mamar na teta do Leão, mas não vamos deixar”, dispara Alexi

por Leonardo Santana em 22 de Outubro de 2013 00:00

O presidente do Esporte Clube Vitória, Alexi Portela Jr., visitou a redação do Bocão News e concedeu uma entrevista exclusiva ao site. O dirigente comentou sobre a expectativa de ver o Leão na Libertadores da América do próximo ano, revelou os detalhes das renovações de jogadores para a próxima temporada, além de falar das reuniões a que tem comparecido em Brasília e do Bom Senso Futebol Clube.

Alexi fez um balanço deste ano para o rubro negro baiano, comentou sobre a utilização da Arena Fonte Nova e falou sobre as eleições presidenciais que irão acontecer em dezembro. O mandatário do Vitória disse ainda que existem “pessoas que já foram do clube, querendo voltar para mamar na teta do Leão, mas a gente não vai deixar e isso não vai acontecer”.

Confira abaixo a entrevista na íntegra com o presidente do Vitória, Alexi Portela.

(Fotos: Gilberto Junior // Bocão News)

O que o presidente Alexi Portela pensa a respeito da campanha do Vitória no Campeonato Brasileiro?

Alexi Portela: Na realidade desde o início do ano, nosso intuito quando montamos o time foi pra disputar uma vaga na Libertadores. Foi um ano em que já tínhamos um pouco mais de fôlego financeiro para poder bancar um time melhor e foi isso que fizemos. No meio do campeonato tivemos alguns percalços pelas contusões em muitos jogadores, mas fomos ágeis e a diretoria de futebol foi muito competente e repôs essas peças tanto é que o time voltou a crescer no campeonato.

O senhor acredita que o time vai se classificar à Libertadores da América?

AP: Espero que sim, é este o nosso intuito. Não sonho, isso pra mim não é um sonho é uma realidade. Não tenho dúvidas que temos todas as condições de chegar a disputar uma das posições pra chegar na Libertadores.

Como o senhor avalia o trabalho de Ney Franco, acha que ele está fazendo a equipe render mais do que o Caio Jr?

AP: Não tenho dúvida. Este é um treinador que desde 2009 eu queria trazer para o Vitória. Só que quando estávamos sem treinador, ele estava empregado, quando ele estava desempregado a gente estava com treinador, então não casou. Mas agora, graças a Deus, até antes da minha saída do clube, conseguimos trazer e não tenho dúvida que esse treinador vai fazer história no clube, vai mudar muito o Vitória daqui pra frente.

Ney Franco fica para o próximo ano?

AP: Assinamos contrato dele até o final de 2014. Em 2014 ele vai ser o treinador do Vitória.

O senhor pode fazer um balanço deste ano para o Vitória?

AP: Este ano voltamos a ter a hegemonia do futebol baiano, fomos campeões baianos com uma goleada histórica de 7 a 3. Mostrou que o Vitória voltou a sua posição normal. Tivemos dois percalços, que foi a saída prematura da Copa do Nordeste e da Copa do Brasil. Isso realmente nos frustrou um pouco, porque esperávamos ganhar a Copa do Nordeste e chegar mais longe, ou até quem sabe, disputar o título da Copa do Brasil. Mas futebol é isso mesmo, às vezes a gente espera que a coisa aconteça e dá errado. Conseguimos reverter isso, fomos campeões baianos e estamos fazendo uma excelente campanha no Campeonato Brasileiro.

O senhor pode comentar um pouco sobre estas reuniões as quais tem comparecido em Brasília?

AP: Na realidade a CBF criou uma Comissão para discutir o Proforte, que seriam as dívidas do futebol brasileiro. O Vitória não se enquadra nisso, já que o clube tem todas as certidões, mas acho importante para o Vitória como instituição estar presente em uma Comissão dessas, que é uma Comissão que representa a CBF perante a Câmara Federal e aos órgãos públicos. Então fomos convidados e aceitamos participar disso. Primeiro a gente não aceita que a dívida não seja paga. Acho que não tem que anistia e as dívidas têm que ser pagas. Isso foi mudado, não vai ter mais esse negócio de trocar por esportes olímpicos, a gente tem que ver quanto é essa dívida, parcelar de acordo com cada clube brasileiro e pagar. Quem fez sua dívida tem que pagar, o futebol brasileiro nem a nossa população vai aceitar o calote dos clubes.

O que o senhor pensa a respeito do Bom Senso F.C.?

AP: Na quinta-feira tivemos uma reunião na CBF para tratar da reunião que teve em Brasília. Foi nos passado esse documento que o Bom Senso fez e estamos analisando. Como eu falei com o presidente Marco Polo, algumas coisas são justas. O fair play financeiro é isso que estamos brigando há muito tempo. Tem outras coisas que temos que analisar, inclusive, pedimos que fosse agendada uma reunião com esse grupo de jogadores. Não pode ter só o direito, tem que ter os direitos e os deveres, vamos ver agora, estamos fazendo esse documento também, vamos sentar e conversar para ver também os deveres dos jogadores perante os clubes. Acho que não se passa só pela mudança de calendário. Se passa por uma coisa muito maior, que é o profissionalismo do jogador. Tem jogador que quando acaba o jogo vai tomar cachaça, não descansa, se contunde e o clube ou o calendário que é o culpado? Acho que não, acho que tem que ser feito, tem que mudar algumas coisas, mas tem que ter critério e analisar o que é bom para ambas as partes.

E as eleições no Vitória, quem o senhor deve apoiar? E a divulgação da lista de conselheiros?

AP: Às vezes fico triste e alegre ao mesmo tempo. Fico triste porque algumas pessoas, na época que o Vitória estava no fundo do poço, devendo cinco meses de salário, sem pagar o vale-transporte, sem pagar o funcionário que ganhava um salário mínimo, não apareceu ninguém para salvar o Vitória ou para mudar a estrutura do Vitória. Mas hoje fico alegre, porque tem muita gente que quer cair de paraquedas, quer aparecer nas costas do clube. Pessoas que já foram do clube, querendo voltar para mamar na teta do Leão, mas a gente não vai deixar e isso não vai acontecer. O candidato no momento certo vai ser indicado pelo grupo que me apoia hoje, que estamos juntos e mudamos um pouco a vida do Vitória.

O senhor pretende continuar trabalhando de forma atuante após sair da presidência do clube?

AP: Não. Mudamos o estatuto exatamente para isso. Temos que ter alternância, novas pessoas chegando com novas mentalidades. Até quem sabe, para fazer melhor do que a gente fez. A gente deu um passo inicial, agora tem que aparecer pessoas com ideias novas, querendo trabalhar. Por isso mudamos o estatuto para ter só uma reeleição de três em três anos para poder ter sangue novo mudando e tocando o clube.

O senhor acha que o Vitória deve jogar mais vezes na Fonte Nova em 2014?

AP: Fizemos cinco jogos este ano com mando de campo do Vitória e temos que avaliar bem. Acho que aquele escudo aparecer no telão daquela forma pegou muito mal e estamos processando aquela empresa. Temos que avaliar, não podemos deixar de ver como negócio. O Vitória tem estádio, a maioria dos jogos tem que ser feitos no Barradão, temos que melhorar o acesso, que está sendo feito a licitação pela Conder e pelo governo do Estado e depois melhorar o estádio como um todo, dá uma condição de mais conforto ao torcedor.

Já há algum projeto em vista para o Barradão?

AP: Na realidade temos muitas coisas em vista, mas só vamos disparar isso quando tivermos este acesso pronto. Não adianta mudar ali para uma arena se não tiver acesso com o torcedor indo ao estádio. O Vitória para fazer isso tem que gastar e precisa de um retorno. Tudo passa pelo acesso ao Barradão.

Quais jogadores o Vitória pretende renovar para 2014? Já está havendo conversa com os atletas que pretendem ficar?

AP: Prefiro deixar isso um pouco mais pra frente. Acho que a gente não pode ter nenhum sobressalto agora de mudança. Temos que aguardar até o final de novembro, início de dezembro para conversar sobre renovação de contrato.

E não tem medo de ser atravessado por nenhum outro clube, como o Palmeiras que, por exemplo, demonstrou interesse em Maxi Biancucchi?

AP: Garanto que o Palmeiras não está negociando com Maxi. Os dirigentes do Palmeiras fizeram questão de ligar pra Raimundo Queiróz e pra mim dizendo que não existe isso, que é conversa do procurador dele. Vão plantar muito disso para valorizar os jogadores e nós não vamos entrar nisso.

O que o torcedor do Vitória pode esperar para 2014?

AP: Estamos fazendo um pré-planejamento, pois não vou ser o presidente, então vamos deixar a coisa encaminhada para o presidente. Mas quem vai tomar essas decisões é o próximo presidente. Vamos indicar o presidente para tocar o Vitória, ele não vai ser marionete de ninguém, vai tocar da cabeça dele. Temos que deixar a coisa encaminhada para que ele decida se quer fazer ou não.

Há algum planejamento para as divisões de base do clube?

AP: O Vitória tem que cada vez mais melhorar as divisões de base. A divisão de base tem que ser o carro chefe do Vitória. O Vitória não sobrevive sem a venda de um ou dois jogadores por ano, você não fecha a conta. Para manter tudo em dia precisa vender jogadores e para isso é preciso investir na base, não tem jeito, o Vitória é um clube vendedor.

Quando o senhor trouxe Luiz Gustavo houve algumas críticas de que o clube estaria desvalorizando os jogadores da base. O senhor concorda?

AP: Discordo. Tanto é que ele é titular. Se eu confio no treinador, tenho que confiar no que ele está querendo. Ele disse que, naquele momento, a gente não tinha nenhum jogador com aquela versatilidade que ele pudesse aproveitar. Primeiro que ele tinha chegado há pouco tempo, não conhecia muito a base. Foi feito e o menino está jogando bem, não é que ele não confie na base do Vitória, é que ele não conhecia. Tanto é que ele viu o Marcelo treinando cinco minutos e o garoto já fez dois jogos. Ele não está desvalorizando a base, pelo contrário, ele está preservando para não queimar certos garotos que temos hoje.

Este ano os jogadores do Vitória se contundiram com frequência. Foi algo do acaso ou há explicação para isso?

AP: Realmente este ano foi um ano fora da curva. Hoje o Vitória tem mais de 500 mil reais de salários que não estão jogando. Deola, Nino, Fabrício, Mansur, Neto Coruja, André Lima, então o Vitória tem hoje um valor considerável de folha que não está sendo utilizado. Não tem como prever isso aí, é uma coisa que acontece no futebol e este ano demos muito azar em relação a isso.

Existe algum plano de reformulação no estatuto do Vitória para o sócio votar e eleger o presidente do clube?

AP: Na realidade, hoje o sócio Sou Mais Vitória vota para presidente do clube. Se juntarem hoje 400 sócios do Sou Mais Vitória, montam uma chapa e fazem o Conselho. Então o Vitória tem um estatuto muito aberto, só depende do torcedor se associar e querer participar da vida do clube.

Pra finalizar deixa uma mensagem para o torcedor do Vitória:

AP: Quero agradecer a oportunidade de estar com vocês. Estou muito feliz em estar com vocês que têm uma grande audiência na Bahia e dizer ao torcedor do Vitória, que temos quatro jogos muito difíceis em casa. Não tenha dúvida que se o torcedor comparecer vai fazer a diferença e precisamos ganhar os quatro jogos em casa. Se o torcedor quer realmente ajudar e colaborar, que compareça, encha o estádio nesses jogos e no final vamos comemorar a ida à Libertadores da América.

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