Marcelo Guimarães Filho, presidente do Bahia

por Leonardo Santana (Bocão News) em 25 de Maio de 2013 00:00

O presidente do Esporte Clube Bahia, Marcelo Guimarães Filho, resolveu “chutar o balde” e concedeu uma entrevista exclusiva e especial à equipe de reportagem do Bocão News onde falou sobre diversos temas ligados ao clube. Na primeira parte da entrevista, que o torcedor já pode conferir, o dirigente Tricolor fala sobre contratações, dispensas, reformulação do elenco, Campeonato Brasileiro, departamento de Futebol e Marketing, além de citar questões sobre a divisão de base.

Marcelinho também discursou sobre o desgaste do trabalho de Paulo Angioni no Tricolor. Em relação ao ex-técnico do Bahia, Joel Santana, MGF admitiu que “não deu certo, foi um erro e hoje eu não teria trazido”. 

Confira na íntegra a primeira parte da entrevista especial com MGF

(Fotos: Gilberto Junior // Bocão News)


Bocão News: Qual motivo para este péssimo primeiro semestre do Bahia?

Marcelo Guimarães Filho: Acho que a gente errou no futebol, não conseguiu ter o alcance da mudança que precisávamos fazer no departamento de futebol e algumas peças tiveram uma fadiga. Basicamente foi isso que aconteceu, por isso que tivemos essa campanha pífia no Campeonato do Nordeste, campanha ruim no Campeonato Baiano e a desclassificação na Copa do Brasil.

BNews: Por que Willian, que foi recepcionado pela equipe do Bocão News no aeroporto na terça-feira (21), ainda não foi anunciando oficialmente?

MGF: Existem alguns detalhes do contrato. Willian também preferiu que a gente assinasse o contrato, ainda há pouco tive uma reunião com os advogados e selamos todos os detalhes. O nosso corpo jurídico também estava viajando esta semana e isso atrapalhou um pouquinho, mas acredito que até o jogo contra o Criciúma façamos este anúncio.

BNews: Qual vai ser a função de Willian no Bahia?

MGF: Vai ser o superintendente. Nesta mudança que fizemos no departamento de futebol, não mudamos apenas as pessoas, mudamos também a estrutura do departamento. Criamos a figura do superintendente que será o Willian e o diretor de futebol que é o Anderson Barros. Com isso não concentramos tanto poder em uma pessoa só, as decisões vão ser tomadas por três pessoas, porque o presidente também vai estar nessa questão. A diferença básica entre as funções, é que, o superintendente é um cargo mais estratégico, vai pensar o planejamento do clube também em longo prazo e o diretor vai ser um cargo mais operacional, vai cuidar do dia-a-dia com os jogadores, treinador, com relação a treinamento e viagens.

BNews: Concentrar o poder na mão de Paulo Angioni todo este tempo foi um erro?

MGF: Quando uma pessoa passa muito tempo num clube ou em qualquer empresa naturalmente vai se acomodando. Esse é um dos fatores sim, é meu estilo delegar funções e delegamos não só no departamento de futebol, diretores, mas nas outras áreas também, mas eu acho que este foi um dos fatores. Não foi o principal, não o único, mas foi um dos fatores que deve ter nos prejudicado.

BNews: Houve uma reunião entre Willian e Anderson Barros que vetou a contratação de Jorge Henrique, atacante do Corinthians?

MGF: Não, inclusive ontem o Willian teve de voltar pra São Paulo, então ele não estava nem aqui. Estamos conversando por telefone, mas não teve reunião e também não teve nenhum veto a Jorge Henrique. Pelo contrário estamos trabalhando muito para que consigamos trazê-lo. É real a negociação com Jorge Henrique, ele é um dos jogadores, dentre uma série de outros que queremos trazer.
 

BNews: Quais jogadores o Bahia está negociando para contratar?

MGF: Jorge Henrique e Douglas (ambos do Corinthians), Andrezinho (Botafogo), Wallyson (Cruzeiro), Neto Berola e Serginho (Atlético-MG). Estamos negociando com estes. Valdívia não interessa e Cavenaghi não nos foi oferecido.  Estamos focando no Jorge Henrique, a nossa principal negociação é essa, mas esses outros também estão correndo por fora.

BNews: Tem algum prazo para essas contratações chegarem ao Bahia?

MGF: Não quero dar prazo pra não ser pego pela palavra, mas o prazo é pra ontem.  A gente está correndo pra ontem, mas infelizmente já é difícil contratar em janeiro, no meio do ano é mais difícil ainda, por conta dos problemas financeiros que temos que enfrentar. No meio do ano os jogadores que se encaixaram desde janeiro não saem e é mais difícil. Espero ter uma definição de algum jogador ainda até antes do jogo contra o Criciúma, pelo menos um ou dois jogadores e Jorge Henrique é um deles, é a prioridade.

BNews: Antes do primeiro BaVi da final você chegou a afirmar que o Bahia tinha um time melhor que o Vitória, continua com essa opinião?

MGF: Depois de ter tomado 5 a 1 eu falei isso, não vou dizer que nosso time é melhor, mas acredito no nosso time, acho que tem condições de ser melhor do que o Vitória. O que aconteceu nas duas goleadas mostrou que não só o aspecto técnico, mas também os aspectos psicológicos pesaram muito. O fato é que não deu certo esse time no primeiro semestre, reconheço o erro que cometemos. Mas é página virada, o importante é que reconhecemos que erramos e agora vamos tentar remontar o time para o Campeonato Brasileiro.

Bnews: Esta semana saiu uma pesquisa em que aponta que o elenco do Vitória vale quase o dobro do elenco do Bahia. O que você pensa a respeito?

MGF: Reflete o momento, quando o time está bem os jogadores são valorizados. Quando o time está mal, como foi o caso do Bahia, o elenco se desvaloriza.

Bnews: A contratação de Joel Santana, mesmo com a rejeição da torcida, foi um erro?

MGF: Acho que sim, não pela pessoa, nem pelo técnico Joel. Joel é um amigo, mas não deu certo e se não deu certo foi um erro. Naquele momento acreditamos que Joel daria solução para o que a gente esperava que era a união do grupo, esse foi o fator principal para sua contratação. Não deu certo, foi um erro e hoje eu não teria trazido.

BNews: Qual o objetivo do Bahia na Série A do Campeonato Brasileiro?

MGF: Primeiro queremos quebrar essa regra que todo clube do Nordeste não conseguiu, desde os pontos corridos, ficar mais de três anos na Série A e eu tenho confiança que vamos quebrar essa escrita este ano. Mas o Bahia quando começa a Série A o importante é fazer uma campanha a altura do nosso clube, nós somos bi campeões brasileiros, então o Bahia tem que pensar sempre alto, pensar sempre em ser campeão. Não vou prometer a torcida que seremos campeões por causa de todas as dificuldades que já enfrentamos até aqui, mas acredito no trabalho que estamos fazendo, na reformulação que foi feita no futebol, na chegada do Cristóvão, dos jogadores que pretendemos contratar pra fazer uma campanha à altura do Bahia. A ideia é chegar o mais longe possível e fazer uma campanha diferente desses dois anos em que brigamos na parte debaixo da tabela.

BNews: Quantos jogadores o Bahia vai precisar contratar para reformular o elenco? Haverá dispensas?

MGF: Acredito que cinco a seis jogadores no mínimo. Vão haver dispensas, mas a partir da chegada do Cristóvão e do novo departamento de futebol, a ideia agora é critério técnico.

BNews: Qual o motivo da dispensa do atacante Adriano ‘Michael Jackson’, já que o mesmo afirmou que não sabe o por que de ter sido afastado?

MGF: Foi uma decisão interna, prefiro não polemizar. É um atleta do clube, tem contrato, mas decidimos que é melhor para ele e para o clube e é vida que segue.

BNews: Freddy Adu, que chegou a criticar o treinador Joel Santana esta semana chamando-o de retranqueiro, deve ser mais utilizado?

MGF: Acho que o Adu precisa ser testado. Ele não foi testado a ponto de dizer se deve continuar ou não no clube. O Adu tem que ter mais oportunidades, pelo o que tenho visto e conversado com o Cristóvão ele vai ser mais utilizado.

BNews: Por falar em Adu, o marketing ainda não fez nenhuma ação com o jogador. Qual a sua opinião sobre o caso?

MGF: Era uma estratégia nossa não fazer nada aguardando o desempenho dele em campo, para também não criarmos uma expectativa maior do que o necessário com relação ao desempenho dele em campo. Mas ele indo bem, já temos algumas coisas preparadas. Se ele for bem, se firmar em campo, vamos soltar algumas campanhas que já temos prontas para ele.

BNews: Quais as ações de marketing foram feitas este ano? Acha que o setor deve ser reformulado?

MGF: O marketing avançou em algumas coisas que o torcedor não tem conhecimento, não enxerga de cara, mas concordo com o torcedor que precisamos reformular. Já estamos fazendo um plano de reestruturação já está sendo montado. Nos clubes do Nordeste é muito importante que a gente tenha um marketing atuante para que consigamos diminuir a distância financeira que temos para outros clubes.

BNews: No início do ano, foi anunciado que o Bahia só faria contratações pontuais. Dezessete contratações depois, você acha que houve uma política de contratações errada?

MGF: Houve erros, não avaliamos com exatidão o perfil dos jogadores que vieram e o fato é que erramos. A ideia era contratar de sete a oito jogadores pra reforçar o time e acabamos contratando mais de quinze. Isso mostra claramente um erro.

BNews: O setor DADE, que observa e avalia atletas, foi o responsável pela contratação de Potita e Thuram, por exemplo?
MGF: O nível de informações que temos no DADE, o Cristóvão, por exemplo, elogiou. Não são todos os clubes do Brasil que têm isso. Chegaram novas pessoas para o departamento. É importante que tenhamos esse departamento, se ele não está sendo eficiente, temos que trocar as pessoas para que aconteça. É importante o DADE, não deve acabar, deve ser aprimorado.

BNews: Os garotos da base estão sendo mal aproveitados no elenco profissional?

MGF: Acredito que não, acho que temos que trabalhar para que sejam melhor aproveitados, mas não acho que sejam mal aproveitados. O Corinthians, por exemplo, é o campeão mundial e não tem nenhum jogador da divisão de base jogando no time.  É uma questão política de cada clube. Como o Bahia é um clube formador temos que trabalhar isso. Já estou satisfeito com a postura do Cristóvão que já está dando oportunidade aos garotos. Temos que trabalhar para que isso aconteça buscando sempre o equilíbrio de formar um time vencedor com os garotos da base.

BNews: O que você acha da utilização de Omar como titular e todo esta problemática em relação à Marcelo Lomba?

MGF: O Omar é um grande goleiro e tem que buscar seu espaço, é legítimo. O Cristóvão está tendo uma boa disputa em relação a isso. O Lomba está passando uma fase ruim com torcedor e ele tem que trabalhar muito pra recuperar isso. O Cristóvão entende que o Lomba tem condição de recuperar a titularidade e está avaliando esta situação. Cabe ao técnico essa decisão.

BNews: Foi um acerto manter a base de jogadores que lutou dois anos para não cair da primeira divisão?

MGF: Foi bom manter a base, mas precisávamos mais. Essa base foi suficiente  pra que estivéssemos na Série A, mas o Bahia precisa chegar mais longe e não disputar o campeonato de maneira muito difícil, é por isso que fizemos toda essa reestruturação no departamento de futebol e agora no elenco. Muita gente vai sair, muitas caras novas devem chegar e vão dar um novo jeito de jogar ao Bahia. Para que melhore essa base que foi campeã baiana ano passado, mas que o torcedor do Bahia quer mais e nós queremos também.

BNews: Em relação à lista de dispensas feita pelos torcedores (Titi, Danny Morais, Souza, Lomba, Zé Roberto...), você concorda?

MGF: O torcedor tem sempre razão, o time não foi bem e o torcedor tem todo o direito de fazer suas críticas. Destes jogadores, o Zé Roberto já conversamos com os empresários e com o jogador pra buscarmos uma melhor solução para o atleta e para o clube. Com o Cristóvão estamos analisando a situação dos outros e a análise será técnica, o técnico e o departamento de futebol vão participar disso, mas qualquer um pode sair, não tem nenhum que seja inegociável, mas podem continuar também vai depender da decisão do Cristóvão e do departamento de futebol.

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