"Eu entendo e enxergo a atual gestão de futebol do Bahia como desastrosa", diz Lúcio Rios

Autor(a): Marcelo Muniz (Instagram - @omarcelomuniz12) em 10 de Dezembro de 2020 14:00
Foto: Reprodução

O candidato da Chapa 88 à presidência do Bahia, Lúcio Rios, conversou com o réporter Marcelo Muniz, do Galáticos Online, e falou sobre às eleições, que ocorrerão no dia 12 de dezembro de 2020, entre às 9h e às 17h, tanto on-line, como presencial, na Arena Fonte Nova. Ele chamou atenção para as áreas do Esquadrão, que na visão dele, precisam de melhorias, como a diretoria de futebol, divisão de base e relacionamento com a Arena Fonte Nova.

Lúcio é formado em administração de empresas e, nos anos dois mil, fez parte de movimentos que visavam a democratização do Esporte Clube Bahia. O candidato da oposição fez uma breve apresentação de quem ele é.

"Sou ex-atleta amador de futsal, formado em administração de empresas, com experiência em planejamento estratégico, gestão de pessoas, controle orçamentário e gestão de contratos. Fiz parte da democratização do Bahia, e fui membro da associação Bahia Livre. Atualmente sou, por dois mandatos, conselheiro suplemente do clube", disse Lúcio, em breve apresentação. Ele ainda continuou falando sobre o que fez durante os dois mandatos como conselheiro suplente:

"Participo ativamente das assembleias gerais, onde inclusive, numa dessas assembleias, solicitei maior transparência do plano de gestão do atual presidente do Bahia, Guilherme Bellintani. Também cobrei a apresentação das atas, porque num determinado momento, o Bahia deixou de publicar as atas do conselho. Minha participação vem desde o início dos anos 2000, com a associação Bahia Livre, até os dias atuais, como conselheiro suplente e claro, como sócio torcedor", falou.

Falando da candidatura, ele revela estar lutando há 20 anos pelo crescimento do Bahia e revela quem é seu candidato à vice-presidência do Esquadrão, o publicitário Fernando Passos. 

"Tenho realmente 20 anos de luta, de participação política no clube e sempre tive o apoio de figuras como a do Fernando Passos, que é meu candidato à vice-presidência do clube. Fernando é um empresário/publicitário de sucesso aqui na Bahia, e tem muito a acrescentar, com a experiência dele, no marketing", revelou.

O candidato  ainda avaliou quais foram os pontos positivos e negativos da atual gestão.

"Eu queria pontuar, que a parte administrativo-financeira vem caminhando, desde a democratização do clube, em evolução. O processo foi iniciado por Reub Celestino, onde a gente teve que praticamente estruturar o clube, identificar situações de fornecedores que estavam pendentes de pagamentos, criação de planilhas também. Posteriormente teve o Marcelo Santana, com o Marcelo Barros, que deu continuidade. O Bellintani também vem neste processo. Mas eu entendo que também existe, neste processo, administrativo, financeiro e de marketing, umas questões que podem evoluir. por exemplo, a parte de inovação, eu entendo que o Bahia precisa dar saltos. Apesar de estarmos utilizando a plataforma do sócio digital, mesmo assim ainda existem brechas para o sócio/torcedor que não tem acesso a banda larga. Imagine que o Bahia é um clube que tem um grande número de torcedores no interior do estado, que nem sempre vai ter acesso a internet. Então a participação ativa com o rádio, eu entendo que o Bahia não devia ter retirado do ar", disse Lúcio. Que continuou a avaliação, desta vez citando a falta de suporte do clube, na interiorização da marca ( segundo Lúcio, foi algo prometido pela atual gestão nas últimas eleições):

"A questão da interiorização da marca, com escolinhas de futebol, as informações que eu tenho, é que infelizmente o Bahia não dá suporte, e são nelas que a gente vai identificar jovens talentos e valorizado a marca do Bahia. A gente hoje compete com Barcelona, Real Madrid e outros clubes europeus para alcançar as crianças, e a gente precisa estar mais presente no interior do estado para ter maior captação de novos talentos".

Um dos pontos que mais tem incomodado o torcedor do Bahia, é a divisão de base, que com o passar dos anos não tem conseguido emplacar jogadores para o time profissonal, e tem passado por reformulações anuais sob o comando da atual gestão, ponto que Lúcio fez questão de ressaltar.

"A divisão de base do Bahia nos últimos seis anos, vem sendo reestruturada todos os anos, e sabemos que um trabalho de base é para médio a longo prazo, de 6 a 7 anos para a gente conseguir ver o jovem chegar ao time profissional. Então meu ponto é transformar a divisão de base do Bahia em uma unidade de negócios separada, inclusive, da direção de futebol profissional do clube. Vai existir um coordenador, que ficará responsável por todo o projeto junto aos seus supervisores, em captação de talentos. Iremos focar em olheiros, inclusive focando em nosso estado, para valorizarmos os atletas baianos. Hoje infelizmente, o que acontece é a captação no Brasil como um todo e temos 30 jogadores oriundos de São Paulo, e existe uma despesa grande com empresários e moradia, quando na verdade a gente deveria estar tratando num raio de até 700km", falou o candidato, que completou falando sobre uma possível bonificação aos gestores da base, caso alcancem metas traçadas:

"A Bahia sempre foi um grande celeiro de jogadores, mas infelizmente a gente não está tendo foco, e caso eleito, teremos um maior foco na divisão de base, inclusive com indicações para os gestores. A partir do momento que existir um aproveitamento desses jogadores da base no time profissional, no nosso plano, a gente tende a bonificar esses gestores", falou.

Sobre a direção de futebol, que vem sendo bastante criticada pela torcida, Lúcio foi contundente ao falar que o trabalho de Diego Cerri, atual diretor de futebol, tem sido desastroso, e revelou como pretende trabalhar na principal área do clube, que é o futebol.

"Eu entendo e enxergo a atual gestão de futebol, com Diego Cerri, como desastrosa. Foram contratados mais de cem jogadores nesses últimos quatro anos. Eu entendo que a forma que o Bahia faz a gestão de contratação está equivocada. Inclusive, é intenção nossa aperfeiçoar a utilização do DADE. Temos modelos de clubes da Europa, onde toda contratação de atletas é trabalhada em cima da tecnologia. Então, a gente precisa utilizar melhor o DADE, talvez seja preciso contratar novos profissionais para avaliação. Mas na verdade, a gente entende que é um absurdo o Bahia contratar mais de cem jogadores, e isso reflete diretamente na questão financeira do clube", falou o candidato que ainda continuou comentando sobre os progressos feitos pela gestão atual, sem deixar de criticar os equívocos no futebol:

"É um paralelo que a gente vai realizar, da mesma forma que se comenta que a parte de processos internos no Bahia vem caminhando de maneira progressiva, ao mesmo tempo, a gente tem que identificar que os gastos equivocados acabam ocasionando perdas financeiras para o clube. Infelizmente, na diretoria de futebol profissional, ocorreram muitos equívocos".

Ainda sobre a direção de futebol, Lúcio Rios criticou as constantes trocas na gerência de futebol da base do Bahia, e ainda trouxe números alarmantes de jogadores dispensados apenas em 2019. Para ele, falta planejamento na área.

"Quando Bellintani foi eleito, o gerente de futebol era Paulo Ricardo, que foi demitido e Marcelo Vilhena entrou no lugar, que foi demitido um ano depois. Como você pode conseguir ter uma forma de jogar, se a todo momento existe uma reformulação? Foram 70 jogadores dispensados da base em 2019, só no sub-20 foram mais de vinte atletas. Existe uma falta total de planejamento nesse quesito".

Ele ainda falou sobre a visãi que ele tem do sub-23/time de transição, e afirmou que manterá a equipe, caso seja eleito. Mas com mudanças na forma de montar o time, com menos contratações e mais jogadores oriundos da base.

"Eu pretendo permanecer com o time sub-23, porque eu entendo que a divisão de base, o caminho natural é a geração de atletas para o profissional. O que a gente não pode é contratar tantos jogadores para o time de transição, porque o Bahia acaba virando time de vitrine para empresários. Precisa existir uma filosofia de entrosamento entre a base e o time profissional".

Por fim, ele afirmou que a Arena Fonte Nova é a casa do Bahia, falou sobre o relacionamento entre clube e consórcio que administra o equipamento esportivo e abriu e não fechou os olhos sobre a situação da loja do Bahia, que na visão dele, precisa de um foco maior por parte do clube.

"A Arena está localizada num espaço sagrado para o Tricolor, antes da Arena existia a Fonte Nova. Eu creio que a Arena Fonte Nova é a casa do Bahia e, o que a gente precisa melhorar cabe muito ao Bahia, porque a gestão do sócio cabe ao clube, e isso precisa ficar bem claro. Na gestão anterior ao Guilherme, nós perdemos muito tempo por motivos comerciais, e muitas vezes a Arena era jogada contra o torcedor e a torcida se colocava com resistência, quando na verdade ali é um instrumento que a gente precisa utilizar e que eles precisam muito mais do Bahia do que a gente dele, mas precisamos ter uma relação comercial em que andemos de mãos dadas. Ainda existem dificuldades normais, de qualquer contratação de serviço, mas a operação e relacionamento precisam partir do Bahia. Eu entendo que a gente possa melhorar na parte de comunicação, o Bahia comunicar primeiro que de fato a Arena Fonte Nova é a casa do clube, que aquele espaço é sagrado para o Esporte Clube Bahia, para que o torcedor se identifique cada vez mais e acabe qualquer tipo de resistência por causa da modernização que existiu".

"Precisamos rever a questão da gestão da loja. Visitando outras lojas que vendem produtos oficiais do clube, se fizermos um comparativo, o portfólio de produtos da loja do clube é menor que os das outras lojas. Então a gente precisa da maior atenção à loja, porque se o torcedor, o sócio chegar lá, tem que comprar tudo que tiver do clube, não pode chegar lá e não encontrar o que quer. Sou da área comercial e sei o que estou falando, uma venda perdida a gente não recupera nunca. Precisamos entender a relação entre o Bahia e as fábricas que produzem os produtos, porque é inadmissível o Bahia lançar um determinado uniforme e o torcedor chegar na loja e não ter o produto".


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