Abílio Freire fala sobre propostas e posições do grupo "Mais um, Baêa!"

por Rafael Machaddo (@RafaelMachaddo6) em 18 de Setembro de 2017 00:00

As eleições no Esporte Clube Bahia acontecerão apenas no mês de dezembro, porém, muitos grupos já tem se movimentado através de encontros, palestras e afins, com o objetivo de divulgar suas ideias para o próximo pleito. Visando manter os seus leitores sempre bem informados, o Galáticos Online realizará uma série de entrevistas com representantes dos principais grupos que devem apresentar candidatos à presidência do clube.

Vale ressaltar que todas as oito perguntas feitas ao primeiro entrevistado serão feitas a todos os outros grupos, de maneira que nenhum se sinta privilegiado ou prejudicado.

Começamos essa série conversando com o Advogado Abílio Freire, um dos líderes do grupo “Mais um, Baêa” (MUB!). O Grupo tem ganhado bastante notabilidade após receber apoios públicos de ex-jogadores do Bahia como Ávine e Marcelo Ramos, além do ex-observador técnico do clube, Aldo França.

1 – O seu grupo já definiu quem será o candidato à presidência do clube? Por que essa escolha?

RESP: Não. Além do nosso nome (Abílio Freire) existe mais um candidato dentro do MUB! A escolha será feita na Assembleia Geral marcada para 07/10/2017, com convocação já expedida para membros e associados.

2 – Quais grupos ou pessoas apoiam essa candidatura? Como eles serão importantes numa possível gestão?

RESP: O MUB!, mesmo não concordando com existência de grupos político-institucionais, assim o fez em razão das prescrições estatutárias do Clube. Desta forma, a partir de quando decidimos em Assembleia Geral que o MUB! teria candidato próprio para as eleições do Bahia, alguns apoios passaram a acontecer de outros "grupos", o que nos fez construir uma significativa base de aliança que já está e nos dará ainda mais sustentação para lograrmos êxito no pleito. Quanto aos nomes, assim que estiver definido o(a) candidato(a) o anúncio será feito, explicitando toda a base de apoio.

3 – Quais são as principais propostas do seu grupo para um possível mandato para os próximos três anos?

RESP: Visando dar continuidade ao processo de democratização do Clube, temos em mira submeter ao Conselho para aprovação a mudança na previsão estrutural de candidatura ao próprio Conselho (hoje com obrigação de formação de chapas com 100 nomes cada, cujos integrantes são eleitos de acordo com a proporcionalidade dos votos obtidos por cada chapa), para que, já na eleição de 2020 passemos a ter também ELEIÇÕES DIRETAS PARA CONSELHEIRO, a fim de que estes representem os interesses EXCLUSIVAMENTE do ESPORTE CLUBE BAHIA e não dos grupos político-institucionais de onde vieram, grupos estes quase sempre enraizados com partidos políticos, pois entendemos que o Bahia deve ser o OBJETIVO FIM de quem se candidata para Presidente, Vice e Conselheiros e não OBJETIVO MEIO como historicamente se vem fazendo, com interferência nefasta de política partidária nas gestões.

Paripassu, entendemos que o Clube precisa passar por profunda reformulação no sistema de Sócio Torcedor, a fim de possamos dar oportunidade ao POVO, à massa que é torcedora do Esquadrão, para que se sintam incluídos, representados e façam parte de todos os processos, de todas as escolhas, criando categorias de sócios que vão desde contribuições de R$10,00 (dez reais) até contribuições de R$1.000,00 (um mil reais). Para eliminar a possibilidade de "compra de votos", através da "fabrição" de sócios de baixa renda com contribuição de apenas R$10,00 (o que se externa como maior receio para não se aprovar uma faixa popular de Sócio Torcedor, instituiríamos 2 critérios ou requisitos universais, para qualquer categoria de sócio: 1. ser contribuinte há pelo menos 12 meses para poder votar e ser votado (carência temporal); 2. ter contribuído com pelos menos 12 vezes o valor da mensalidade base ou plano base (carência contributiva) (hoje o plano base no Bahia é de 40 reais, o que implicaria que uma pessoa para atingir essa segunda condição teria que ter já contribuído com um montante igual ou superior a 480 reais). Acreditamos que esta adequação, somada a outras tantas que pretendemos fazer, como criação do plano sócio família, plano sócio empresarial, plano "só vou na final", plano entrada garantida metade dos jogos etc, certamente vamos, num processo de releitura, ter um produto que agrade e se adeque a cada uma das realidades de torcedores do Esporte Clube Bahia.

Por fim, no quesito FUTEBOL FORA DE CAMPO, teremos 2 departamentos de excelência, que são nosso Novo Departamento de Análise de Desemprenho (DAD) e nosso Novo Departamento Clínico (DC), que compreende os serviços de Fisiologia, Fisioterapia, Medica Desportiva, Nutrição Desportiva e Condicionamento Físico, que atuarão, respectivamente, no auxílio para contratações de atletas profissionais e de base, minimizando erros, e na obtenção da melhor performance de cada atleta, este último atuando de forma preventiva e reparativa. Agora, no quesito FUTEBOL DENTRO DE CAMPO mourejaremos para montar equipes com capacidade de disputar e ganhar títulos, estabelecer vários esquemas táticos que flutuarão de acordo com circunstâncias como escalação, adversário, mando de campo, placar de jogo etc, a fim de termos competitividade e postura que imponha respeito e temor aos adversários, ladeados por uma torcida presente nos estádios que sempre fez e voltará a fazer a diferença em nosso favor. Jogaremos com a virilidade dos jovens e a inteligência dos experientes. Eliminaremos ao máximo riscos com contratações, tendo em nossa mira, SEMPRE, contratações que tragam resultado FINANCEIRO para o Clube, ou seja, atletas que no decorrer do trabalho valorizem-se com suas apresentações e conquistas pelo Bahia, para que tornemos nossa atividade também lucrativa, pois, por óbvio, se a resposta das contratações é lucrativa é porque certamente a correspondência técnica foi atingida. Montaremos equipes com pensamento e postura de vencedores, olhar plural, coletivo, entendendo que a formação de grupos é essencial para conquista de títulos, procurando entender o ser humano jogador e também buscando dele os melhores desempenhos, com respeito e austeridade (não cabe aqui confundir respeito ou bondade com bestialidade nem austeridade com estupidez, vez que para ser bom, agindo com respeito, e sendo austero não precisa ser besta nem estúpido). Enfim, nosso objetivo incessante será voltar a ter um BAHIA FORTE e VENCEDOR para fazê-lo mais uma vez CAMPEÃO BRASILEIRO.

4 – Qual o posicionamento do seu grupo sobre Fazendão e Cidade Tricolor?

RESP: Sabemos que a Cidade Tricolor é um centro de última geração, contudo alguns aspectos devem ser avaliados para se decidir em qual dos dois se fará o trabalho com o time profissional. Digo isto porque em nosso projeto ficaremos com os 2 CT´s, sendo que em um deles teremos time profissional e parte da divisão de base e no outro criaremos, com recursos oriundos do Ministério dos Esportes, o maior CENTRO DE CAPTAÇÃO E FORMAÇÃO DE JOGADORES do Norte/Nordeste e um dos melhores do Brasil. Este modelo de centros com recursos incentivados já foi testado e deu certo no Cruzeiro, Fluminense e São Paulo. Nossa captação de jovens será feita não apenas no Norte/Nordeste, onde historicamente encontramos nossos maiores ídolos, mas também em outras regiões do país e fora dele, com braços no mercado da América do Sul e na África, neste último em países de língua portuguesa, inicialmente por força das questões culturais e de adaptação. Temos tanto o projeto quanto as pessoas que serão responsáveis para trabalhar dentro e fora do Brasil, pois nos preocupamos em formar nossa equipe de trabalho antecipadamente, para, inclusive, termos nomes para apresentar aos torcedores.

5 – Como o seu grupo vê a parceria do Bahia com a Arena Fonte Nova?

RESP: Vemos com o olhar de quem precisa entender que há necessidade urgente de mudanças de postura. Hoje temos preços de Arena com serviços de Estádio, onde há nítido afastamento da massa torcedora, com pouca preocupação para rotinas simples, como compra de ingressos, acesso, acomodação, saída etc. Precisamos antes de qualquer coisa ter acesso ao contrato, que dizem ter cláusula de confidencialidade e por isso não conhecemos seus termos, para avaliar não apenas questões jurídicas, mas também questões práticas. O certo é que trabalharemos para ser inclusivos com o torcedor de baixa renda, que precisa voltar a participar de jogos e realimentar sua paixão pelo Clube, reescrevendo para cada um de todos os torcedores, independentemente da sua capacidade econômica, a experiência de chegar, estar e sair do estádio. Somente depois de tais diligências e tendo como parâmetro as diretrizes aqui expostas é que poderemos forma juízo de valor e agir de acordo com o que for melhor para o Clube e para seus Torcedores.

6 – Como vocês avaliam a atual gestão do clube? Por favor, cite pelo menos um ponto que você julga positivo e um negativo da atual gestão do Bahia.

RESP: Entendemos que a atual gestão do Clube foi bastante superior à sua antecessora, cujo presidente foi Fernando Schimidt, onde na verdade essas duas últimas gestões se tratam dos mesmos grupos políticos institucionais e suas influências político partidárias, que gerem o Clube desde a sua democratização, contudo as pessoas dos atuais gestores tiveram resultados melhores do que a última gestão. Por enxergar que o Bahia é um antes e outro após a democratização, preferimos sequer tecer comentários sobre o período anterior à democratização do Clube, época em que o Clube era gerido por castas que se revezaram e se perpetuaram no poder, como se fossem os verdadeiros donos do nosso Tricolor. Pós democratização, não podemos deixar de citar a confluência de mais 2 fatores, concomitantes à democratização, que também tiveram reflexo positivo para o Clube: 1. o reajuste das cotas de TV, já previsto em contrato anterior à atual gestão; 2. a promulgação da Lei 13.155/15 (PROFUT). Aponto estes 2 fatores como preponderantes, pois deram à atual gestão acesso a valores de cotas superiores ao das gestões passadas, o que fez, mesmo não subindo no primeiro ano de série B para a série A, ter um reajuste favorável no segundo ano, vez que, se de um lado o contrato prevê para o time que fica o segundo ano na série B e reajuste NEGATIVO de 25% (ou seja, perde 25% da cota), por outro lado o reajuste contratual previsto teve índice superior à perda, o que fez que o Clube tivesse mais dinheiro para enfrentar o campeonato em 2016 e, no segundo caso, do PROFUT, apenas pelo fato de ter sido signatário, o Clube teve o benefício previsto na Lei de reduções de débitos, o que originou uma diminuição de cerca de 30 milhões de reais, aderindo ainda à faculdade instituída na mesma Lei de pagamento da pardela do financiamento com REDUÇÃO DE 50% do valor nos primeiros 24 meses (a lei prevê que os clubes tinham a faculdade de reduzir em 50% o valor das parcelas 1 a 24, em 25% o valor das parcelas 25 a 48 e, em 10%, o valor das parcelas 49 a 60). Com a utilização de tal artifício, a atual gestão acabou pagando prestações menores do financiamento, o que fez com que também sobrasse também mais dinheiro em caixa, em detrimento de rolar a dívida para frente, com incidência de juros e correções. Não bastasse isso, tivemos ainda o aporte do recurso não esperado de 40 milhões em função do fechamento de contrato com o Esporte Interativo. Dito isto, entendemos que AS CIRCUNSTÂNCIAS DOS FATOS ajudaram a se ter mais recursos e que, infelizmente, a atual gestão NÃO SOUBE TRABALHAR COM OS EXCESSOS gerados, errando reiteradamente na contratação de atletas, adquirindo direitos econômicos de outros atletas que não gerariam (e nem geraram) retorno algum para o clube, quer técnico muito menos financeiro, mas, a despeito de tudo isto, sem querer alongar demais a resposta, nitidamente a eficiência da gestão não é positiva, mesmo tendo melhoras significativas se comparada com a gestão anterior, repita-se. Quanto a enumeração de ponto positivo e negativo, diríamos que a gestão financeira, dentro obviamente da alçada daquilo que foi traçado pela diretoria geral, destaca-se como ponto positivo, o que, tanto é assim que o MUB! convidará o atual gestor financeiro, sr. Marcelo Barros e toda a sua equipe para permanecer no Clube caso sejamos vencedores nas urnas, e, como aspecto negativo, sem dúvida alguma, a performance pífia da diretoria de marketing, que muito pouco fez, fracassou na engenharia de captação de novos Sócios Torcedores, fundamento da contratação do atual diretor de marketing, que mesmo assim seguiu prestigiado mesmo representando números extremamente negativos para a estrutura empresarial, ainda que em forma de associação civil sem fins lucrativos. O fato da associação civil não ter fins lucrativos, significa que ao final dos períodos ela não distribui lucros entre os sócios, mas isto não quer dizer que sua atividade não possa gerar lucros para si mesma! Pelo que nos consta, a equipe do marketing tem muita coisa e profissionais para ser aproveitados, contudo a mudança tem como certo o endereço do titular daquela diretoria, que em nossa opinião conseguiu ser um pouco pior do que os que passaram pela diretoria de futebol. 

7 – E sobre os atuais grupos de oposição, como os avaliam? Da mesma forma, por favor, se possível, cite um aspecto positivo e um negativo dos grupos que atualmente fazem oposição aos gestores.

RESP: Os grupos de oposição são tantos que não conhecemos todos! Dos que conhecemos, percebemos alguns mais exaltados outros mais comedidos. Entendemos que a forma de expressar seus sentimentos é livre e deve ser respeitada e, certamente, acaso houvesse uma rotina de diálogo perene entre a gestão e torcedores, certamente seriam menores os ruídos, afinal, todos devem ser humildes o suficiente para entender que acima de tudo e todos deve estar o ESPORTE CLUBE BAHIA. O MUB! sempre foi da corrente dos mais comedidos, daqueles que enxergam os erros, apontam, mas NUNCA deixam de apontar os avanços e os acertos, quando ocorrem. Somos do tipo que entende que para ser melhor do que alguém não precisamos tornar este alguém ruim ou pior do que o que ele já é, precisamos apenas mostrar que somos melhores, que queremos coisas melhores, e é assim que temos nos mantido ao longo destes anos. O MUB! é extremamente eclético, como nasceu da reunião de torcedores para representar a voz destes, capitando suas reclamações mais constantes, ressaltando aquilo que a torcida acha correto, temos hoje uma quantidade enorme de grupos de whatsapp, milhares de seguidores em redes sociais e lá dentro temos desde defensores moderados e radicais da atual gestão, até opositores moderados e radicais também. Contudo nossa espinha dorsal, que compreende basicamente a forma de agir das lideranças do grupo, é absolutamente escorreita, entendendo as diferenças apenas como formas diferentes de pensar e agir e respeitando a tudo e a todos, até por saber que, principalmente entre os torcedores, todos querem uma coisa em comum que é o bem do Bahia.

Como demonstração de tudo que pregamos, acaso eleita a chapa que o MUB! vier a lançar, criaremos um mecanismo que se chamará de COMITÊ INSTITUCIONAL, que nada mais será do que um atributo à ingerência de reunir pessoas para ouvir e debater, estas correspondentes a representantes de torcidas organizadas, grupos de situação, oposição, perfis de redes sociais que, conjuntamente com a participação OBRIGATÓRIA de TODA A DIRETORIA, uma vez por mês, que conversarão sobre Bahia, ideias, críticas, sugestões a fim de que, para, acima de tudo, TERMOS RESPOSTAS e DIÁLOGO permanente com nossos torcedores, TAMBÉM através dos seus representantes.

 8 - Qual o posicionamento do seu grupo sobre o voto à distância?

RESP: O MUB! entende que o Sócio Torcedor que mora fora de Salvador deva continuar tendo descontos nos valores que contribui com o Clube, tendo, inclusive, incrementados determinados benefícios que justifiquem sua entrada e permanência no quadro de sócios. Sem dúvida alguma, de todas as ações que o clube pode fazer para fomentar tais interesses (tornar-se e permanecer sócio torcedor), independentemente se o torcedor mora em Salvador, ou não, A PERFORMANCE EM CAMPO é o principal deles e, por isso, por representarmos o torcedor, sendo a vez e a voz dele, teremos como objetivo prioritário resultados em campo, como já dissemos. Já com relação ao voto, achamos mais do que legítima a pretensão do sócio fora de Salvador votar e com tal propósito nos solidarizamos. Somente entendemos dever ser necessário se instituir um sistema prévio, transparente, com custo realizável (pois se o custo do mecanismo seguro para voto à distância for maior do que o somatório das arrecadações no triênio com estes sócios, toda a operação perde o sentido), para que seja garantido o direito e conferida também a lisura do procedimento. Soubemos que para esta eleição não se fará o voto à distância, contudo esperamos que a matéria seja discutida, exaurida e implementada para a eleição de 2020 e sugerimos, para a atual realidade, de cerca de 1 mil sócios fora de Salvador, segundo dados expostos pela própria gestão numa entrevista ano passado, que se pense em utilizar o sistema oferecido pelos correios, em que o sócio recebe dias antes a cédula em casa, vota, coloca o voto na correspondência de envio e esta, ao chegar, fica na caixa postal aos cuidados dos Correios e todos os votos são levados para computo exatamente no mesmo dia, local e horário da eleição em Salvador.

Foto: Reprodução Internet


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